A palavra
Depois de um tempo merecido de descanso para vocês o Salada de Colher retorna para encher o saco de muita gente, de pouca gente também.
Sempre tive, como boa parte das pessoas, predileção por algumas palavras. Uma das minhas favoritas é PARADOXO. Além de ser diferente a escrita, soa muito bem aos ouvidos. Mais ainda interessante é o significado, penso que uma definição razoável seja o encontro dos opostos, ali, juntinho.
Pois bem, ouvindo uma notícia pelo rádio fiquei sabendo que uma pessoa jogou num rio imundo no município de Queimados, um recém-nascido. Os policiais que passavam pela imediação foram alertados por locais que presenciaram a cena. Imediatamente levaram o bebê para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Chegando lá, se descobriu que na UPA nem ar-condicionado funcionava. Conclusão: a criança teve que ser transferida. Agora é que entra em ação minha palavra preferida. A criança fora transferida para uma casa de "saúde?", má-afamada e responsável, segundo moradores, por muitas mortes de recém- nascidos. É como jogar uma lebre convalescente ao sacrifício, apenas porque o poder público não tem capacidade de contratar médicos, se bem que, contratar profissionais e colocá-los de fato para trabalharem parece impossível, para quem não consegue gerir sequer o sistema de ar-condicionado.
A discussão sobre o valor do salário elevou ao ápice o PARADOXISMO do nosso país. Vendo na bancada do plenário deputados, antes probo e ilibados como uma freira, discursando a favor de um aumento irrisório do mínimo, os mesmos que na oposição atiravam pedras contra governos adversários, afirmando que o país vai quebrar se o valor ultrapassar o que a base governista propõe, é de enjoar qualquer estômago, e não precisa ser dos maîs sensíveis, até porque, com um salário desse, o órgão já se acostumou a dureza.
Rever fotos antigas, da época em que o PT era oposição, em que o ministro Palocci fazendo sinal com os dedos polegar e indicador, numa referência ao reajuste do salário à época, e hoje impondo "coerência" à bancada é risível, para não dizer trágico.
E o que dizer do deputado Vicentinho? Com cara de santo de puteiro (imagem que ganhava uma vela acesa de presente para guardar segredo o que acontecia no quarto). Visivelmente constrangido? Sinceramente, nem se fosse eu Poliana. Na verdade, penso que a cena foi apenas um percalço a ser superado. Para depois seguir pela terra que corre leite e mel, que é o Congresso.
Quem sabe, um dia, chegará o tempo em que, assim como eles, o trabalhador definirá o próprio salário. Quando chegar não precisaremos de Mantegas, Pallocis, Vicentinhos ou qualquer outro sindicalista ou não que só querem se dar bem. Daí concluí-se que os eleitos são o povo, e o povo não é eleito. Êta PARADOXO.
Sempre tive, como boa parte das pessoas, predileção por algumas palavras. Uma das minhas favoritas é PARADOXO. Além de ser diferente a escrita, soa muito bem aos ouvidos. Mais ainda interessante é o significado, penso que uma definição razoável seja o encontro dos opostos, ali, juntinho.
Pois bem, ouvindo uma notícia pelo rádio fiquei sabendo que uma pessoa jogou num rio imundo no município de Queimados, um recém-nascido. Os policiais que passavam pela imediação foram alertados por locais que presenciaram a cena. Imediatamente levaram o bebê para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Chegando lá, se descobriu que na UPA nem ar-condicionado funcionava. Conclusão: a criança teve que ser transferida. Agora é que entra em ação minha palavra preferida. A criança fora transferida para uma casa de "saúde?", má-afamada e responsável, segundo moradores, por muitas mortes de recém- nascidos. É como jogar uma lebre convalescente ao sacrifício, apenas porque o poder público não tem capacidade de contratar médicos, se bem que, contratar profissionais e colocá-los de fato para trabalharem parece impossível, para quem não consegue gerir sequer o sistema de ar-condicionado.
A discussão sobre o valor do salário elevou ao ápice o PARADOXISMO do nosso país. Vendo na bancada do plenário deputados, antes probo e ilibados como uma freira, discursando a favor de um aumento irrisório do mínimo, os mesmos que na oposição atiravam pedras contra governos adversários, afirmando que o país vai quebrar se o valor ultrapassar o que a base governista propõe, é de enjoar qualquer estômago, e não precisa ser dos maîs sensíveis, até porque, com um salário desse, o órgão já se acostumou a dureza.
Rever fotos antigas, da época em que o PT era oposição, em que o ministro Palocci fazendo sinal com os dedos polegar e indicador, numa referência ao reajuste do salário à época, e hoje impondo "coerência" à bancada é risível, para não dizer trágico.
E o que dizer do deputado Vicentinho? Com cara de santo de puteiro (imagem que ganhava uma vela acesa de presente para guardar segredo o que acontecia no quarto). Visivelmente constrangido? Sinceramente, nem se fosse eu Poliana. Na verdade, penso que a cena foi apenas um percalço a ser superado. Para depois seguir pela terra que corre leite e mel, que é o Congresso.
Quem sabe, um dia, chegará o tempo em que, assim como eles, o trabalhador definirá o próprio salário. Quando chegar não precisaremos de Mantegas, Pallocis, Vicentinhos ou qualquer outro sindicalista ou não que só querem se dar bem. Daí concluí-se que os eleitos são o povo, e o povo não é eleito. Êta PARADOXO.
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