Pipa sem rabiola num céu de ventania




O presidente Jair Bolsonaro se reuniu hoje com um grupo de empresários que, segundo o ministro Paulo Guedes, representa 45% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Foram cobrar o recomeço das suas produções alegando que a “ economia está na UTI.” Em seguida foram em caminhada pela Praça dos Três Poderes até à sede do Supremo Tribunal Federal onde, junto com os empresários, teve audiência com o presidente do STF, Dias Toffoli.
É evidente, e parece que apenas o próprio presidente ainda não se convenceu de que não há dicotomia entre salvar vidas e salvar economia. É claro que se deve preocupar com a economia. A questão é que nem o presidente acredita no que ele mesmo fala quanto mais a população.
Se já não bastassem timing e o tema despropositado da reunião com os empresários, a ida ao STF está sendo encarada como uma tentativa de emparedar os ministros da Casa.  Não deu certo, Toffoli, polidamente deu um passa moleque no presidente dizendo, só que mais polidamente, que Bolsonaro deveria liderar, coisa que não faz, através de uma gabinete de crise e se entender com estados e municípios ao invés de buscar sempre o confronto.
Representantes da indústria automotiva participaram do encontro
O pior é que foi tudo ao vivo, porque, mesmo sem autorização, uma equipe de TV pública transmitiu, sem o conhecimento de Toffoli. Ou seja, a coisa ficou pior do que estava.
Outro ponto interessante é que Bolsonaro fala que se importa com as vidas, mas sequer convidou o ministro da saúde para a reunião. Talvez tenha sido pensado mesmo, já que o Brasil bateu recorde de mortes: mais de 600 em 24h. Com direito a fala do ministro sobre curva crescente e lockdown necessário em alguns lugares. E dados mostrando que a o pico da pandemia já teria passado para a classe A, ou seja, a dos empresários que cobram abertura. Os pobres operários que se danem com suas famílias em transportes superlotados, sem plano de saúde, com um SUS sucateado. Empresários assim, amam seus colaboradores. Tudo isso nos leva a questionar, que preocupação é essa com vidas que dispensa seu principal ministro? A crise econômica é filha da crise da saúde.
Outra pergunta válida é que se 45% do PIB/Brasil estavam na reunião, onde estariam os outros 55%? Bolsonaro está igual pipa sem rabiola a rodar nos céus perdido.
A saída de Moro, os filhos encrencados e as provas pululando o fazem sair dos eixos. A impressão que passa é que não está suportando o peso da presidência, o ocaso está próximo. A conferir.

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