Difícil obediência

 O fato acontecido ontem no metrô do Rio de Janeiro em que um trabalhador é agredido por segurança nada mais é do que o reflexo de um país que não consegue tratar sua população com decência e respeito.    Está se tornando comum trabalhadores serem agredidos por seguranças dos transportes públicos, ou alguém já se esqueceu das chibatadas da Supervia?
 Vida que segue. É cada dia mais aterrador a sensação de impotência que nos é imposto a cada momento. Os argumentos e exemplos que nos são esfregados à cara nesses últimos dias corrobora a máxima de que nós, brasileiros, somos tolerantes ao extremo. O fato acontecido nesta semana com um repórter da rádio Bandeirantes, que teve seu gravador apreendido pelo senador e ex-governador do Paraná, Roberto Requião, foi qualquer coisa absurda. Do senador não esperamos muita coisa mesmo! Com ele as coisas se resolvem é no braço mesmo. Pior foi a explicação apresentada pelo presidente do senado, José Sarney, de que não houve nada mais grave, que fora fruto de um destempero de Requião.
 Se não bastasse, há duas semanas a diretora da Polícia Rodoviária Federal, Maria Alice, fora pega numa imprevidência: estourou o limite de pontos da carteira de motorista. Conclusão: se logo ela, que tem o dever de servir de exemplo aos motoristas insanos- porque só assim se explica a quantidade de mortes no trânsito do Brasil-, guia seu carro de forma irregular imagina o condutor menos entendido as barbaridades que poderá cometer nas pistas!
 Bola fora e péssimo exemplo também surgiu daquele que pretende ser o presidente do Brasil, também senador, Aécio Neves. Parado numa blitz da Lei Seca fora constatado que sua carteira estava vencida, até aí tudo bem, por um lapso é perfeitamente possível alguém se esquecer de pagar ou renovar um documento. No entanto, deixar de soprar o bafômetro foi muito pior. Independentemente do que poderia haver de consequencia depois, serviria como exemplo e constataria ainda mais o bom efeito dessa lei que já salvou muitas vidas, desde quando foi implantada. Com isso perdeu mais do que ganhou. É a lógica do senhor e do escravo: faça o que mando, mas não faça o que eu faço. Faz sentido.

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