Bala trocada não dói
Bala trocada não dói.
O ainda ministro da
Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assumiu hoje durante entrevista diária para
divulgar os resultados sobre a epidemia, que Bolsonaro já
tinha decidido pela sua demissão. No entanto, não se fez de rogado: deixou entender
que vai cair atirando, especificamente, no presidente.
Mandetta traçou com cuidado uma linha clara que o separa do
presidente: ciência versus voluntarismo. Com esse movimento, podemos entender
que tenha caído na armadilha feita pelo núcleo militar, que entende que não
podem apoiar uma pessoa que desafia constantemente o presidente.
O que é pouco comentado, acho, é que Mandetta foi catapultado
não apenas por mérito próprio, no máximo seria conhecido como um técnico competente
na pasta certa, mas foi a ausência de comando do presidente que deveria
unificar o discurso em torno do combate a pandemia, não importando quais seriam
as consequências, porque o povo apoiava o confinamento, para depois iniciar o
ajuste fino. Ou seja, Mandetta só nesse patamar porque Bolsonaro se rebaixou.
Isso não é pouco. Dor de cabeça será para escolher um técnico alinhado aos sabores do presidente. Ele deve ter como
premissa a negação do que vem ocorrendo no mundo. Mas quantos ou até a que ponto doutores colocariam suas reputações conquistadas com anos de estudos a
serviço de um voluntarista? Ou quem sabe, alguém de outra área como um
administrador ou economista? Tivemos economista como ministro da saúde, José Serra é o mais notório; com grande sucesso fazendo o Brasil ser reconhecido
mundialmente no tratamento da Aids.
Mas o momento é outro, não temos um Fernando Henrique Cardoso
na presidência. O que temos para o momento são duas certezas: a primeira é que amanhã teremos nova crise, a segunda é que a quase certa demissão de Mandetta vai jogar mais responsabilidade nos ombros de
um presidente que até o momento se mostra débil.
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