Recordação da Casa dos Mortos


Recordação da Casa dos Mortos

Em tempo de confinamento, por conta do Coronavírus, é impossível não rememorar alguns comportamentos que praticava durante toda a vida e que pareciam perdidos. Não sei se acontece com vocês, mas aqui em casa o Banco Imobiliário voltou à moda. Talvez embarcando nos remakes de novelas da Rede Globo. Há momentos, durante essa prisão necessária que nos remete mesmo ao passado.
Aconteceu mais um desses relances durante um pronunciamento do secretário de assistência social de Queimados, Elton Teixeira, ao anunciar como será a logística de distribuição de cestas básicas à população mais necessitada. Impossível não lembrar os Titãs, banda paulista referência no Rock nacional, que compôs a canção “Comida.” Grande sucesso, fazia crítica às péssimas condições de vida dos brasileiros no fim da década de 1980 e início da de 1990.
Já naquele momento, o povo não necessitava apenas de comida, mas também de “arte, diversão, ballet.” Hoje digo que as pessoas precisam de saúde e muito mais. Mas a incapacidade do município é grande, os gastos com a máquina pública também. Um inchaço gigante com cargos comissionados, proporcionalmente um dos maiores do estado. Ao menos, confessaram que sequer compraram as cestas: elas fazem parte de programa do governo do estado.
Não podemos, ao fim desta praga, retornar ao que éramos no que se refere à saúde no município de Queimados. Temos o direito de ter mais. Menos cargos comissionados que em ano de eleições tornam-se poderosos cabos eleitorais, não duvido que tenha cargos fantasmas, para que sobre dinheiro para contratar mais médicos, comprar materiais. Menos nomeações políticas e mais comprometimento com a população.
O Brasil é um país privilegiado em que a nossa jovem democracia vem experimentando solavancos de todos os lados. Já tivemos autoritário à esquerda, agora temos outro à direita. Isso amadurece. Mas o que fica de lição nisso tudo é a de que não precisamos de salvadores da pátria. Ser militar, ser professor, ser delegado não dá salvo-conduto de honestidade e competência a ninguém.

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