As capivaras de Bolsonaro
Talvez
algumas expressões usadas no jargão jornalístico sejam desconhecidas do grande
público, principalmente, aquelas usadas nas editorias policiais. Por isso vale
uma explicação: Capivara, neste caso, não se trata do querido animal que visita
de tempos em tempos nossas regiões de matas e lagoas, mas problema com a
polícia como investigação e inquérito por crimes, contravenção e afins.
Na
edição de hoje O Globo traz cinco dessas capivaras, que podem explodir no colo
do presidente e que, ao contrário do que diz, demonstra interesse, e muito, na
superintendência do Rio segundo o jornal.
1- Queiroz
em depoimento: “Dias depois de Bolsonaro mencionar a troca da
superintendência da PF do Rio, a defesa de Fabrício Queiroz entrou com um pedido
de acesso aos autos de uma investigação na PF na qual ele seria um dos alvos. O
inquérito tramita desde 2018 na Delegacia de Repressão a Corrupção de Crimes
Financeiros na PF do Rio. Entre janeiro e março de 2019, uma pessoa cuja
identidade é mantida em sigilo, foi convocada para depor e foi questionada
sobre Queiroz e suas atividades na Alerj. O Judiciário e a PF negaram o acesso
à defesa dizendo que Queiroz não era formalmente um dos alvos do inquérito.”
2- Troca
no Porto de Itaguaí:
“Também em agosto de 2019, o presidente tentou trocar o delegado da Receita
Federal no porto de Itaguaí, José Alex Nóbrega de Oliveira. Dias depois em
publicação em redes sociais, Oliveira denunciou que o porto é local de entrada
de mercadorias ilegais de grupos criminosos incluindo as milícias. A PF
investiga as acusações. Em 2017, um scanner da Receita registrou imagens
suspeitas de um contêiner. A carga ia ser vistoriada no dia seguinte, mas o
contêiner foi violado na madrugada, longe do circuito interno de TV, e o conteúdo
suspeito,, que seria armas, sumiu. Outra investigação foi aberta ainda sem
conclusão.”
3- Despachos
sobre Hélio Lopes: “Em
agosto do ano passado, também irritou o presidente quando um delegado do Rio
fez um despacho citando de modo equivocado o deputado Hélio Lopes em uma
investigação sobre supostos crimes previdenciários de ouro réu.”
4- O
porteiro do condomínio:
“No fim de outubro, veio a público depoimento do porteiro do condomínio onde
Bolsonaro mora no Rio. Ele afirmou à Polícia Civil que um dos assassinos da
vereadora Marielle Franco pediu para ir à casa de Bolsonaro no mesmo dia do
crime. – Versão contraditada pelo Ministério Público em áudios da portaria."
5- Inquérito
eleitoral de Flávio:
“Desde 2018 a PF tinha inquérito eleitoral que apurava se o senador Flávio
Bolsonaro cometeu lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral ao
declarar seus bens nas eleições de 2014,2016 e 2018. Esse procedimento foi
instaurado a partir da denúncia de um cidadão sobre as declarações do senador à
Justiça Eleitoral. Flávio atribuiu valores diferentes para um mesmo
apartamento.”
O jornal teria apurado ainda que a
PF teria concluído o caso sem fazer quebra de sigilo fiscal e bancário. O
inquérito tramitou até março, quando foi enviado ao Judiciário com pedido de arquivamento
por não ter encontrado indícios de crimes apontados.

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