No mundo da lua



Opinião


Um projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) de autoria da deputada Alana Passos (PSL), e que está previsto para ser votado na próxima quinta-feira, pelo plenário virtual, tem ares de puro fisiologismo político e tende a criar uma nova classe de trabalhadores.
A primeira vista, trata-se de um projeto humanista cujo objetivo seria auxiliar parente de servidores da saúde vítimas da Covid-19. Muito louvável, mas alguém precisa lembrar a deputada que o estado já tem sistema de pensão para dependentes. E quem faz jus a ela terá direito.
Se não bastasse beneficiar parentes de quem está na linha de frente, o projeto ainda alcança também o trabalhador que não exerce atividade-fim na Saúde, mas que atua no serviço de apoio, como copa, limpeza, lavanderia, segurança e outros. Serão válidos como prova de contágio pelo coronavírus, a escala de serviço ou registro de presenças, por exemplo.
Uma ação que seria válida, caso parentes diretos ficassem descobertos pelo estado. Está-se criando mais privilégio, quando o mundo todo prima pela igualdade de direitos e rigor com as contas públicas. O projeto desnuda o mais puro patrimonialismo. Pior, parte de uma deputada dita liberal.
Se a intenção é fustigar o governador Witzel, a deputada erra redondamente. Já que fala de pensões vitalícias. Como se os profissional não recebessem salários para estarem ali. O projeto divide trabalhadores por classe. Para deputada, a urgência se dá “porque mais de 30 profissionais da saúde perderam a vida”, mas não explica qual será o destino dos profissionais que fazem serviços semelhantes, mas que pertencem a OS, por exemplo.
É impossível a deputada não saber que estamos vivendo a maior crise desde 1929. Estados quebrados, municípios passando pires. Dívida crescente. E a deputada criando vitaliciedade para grupos. Evidente que a eleição é logo ali, mas até para fisiologismo se tem limites. Nesse caso, o fundo do cofre público.

  





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